Viamos e n?o veremos, by Anonymous The Project Gutenberg EBook of Viamos e n?o veremos, by Anonymous This eBook is for the use of anyone anywhere at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this eBook or online at www.gutenberg.org Title: Viamos e n?o veremos alegoria moral, acompanhada de outras diversas maximas relativas a nossa liberdade constitucional Author: Anonymous Release Date: February 27, 2007 [EBook #20701] Language: Portuguese Character set encoding: ISO-8859-1 *** START OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK VIAMOS E N?O VEREMOS *** Produced by Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was produced from images generously made available by National Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) VIAMOS E N?O VEREMOS. ALEGORIA MORAL. Acompanhada de outras diversas Maximas relativas 芍 nossa Liberdade CONSTITUCIONAL LISBOA NA IMPRESS?O REGIA. ANNO 1820. Com Licen?a da Commiss?o da Censura. Sacro Febo, n?o cesses D'espalhar teus luzeiros; As verdades mais s?s desdobra aos homens; Quartel n?o dando 芍 Escurid?o, aos Erros, A Humanidade misera liberta Do Jugo insoportavel Da Ignorancia, fatal, que he m?i dos males. De Fr. X. Monteiro de Barros. VIAMOS E N?O VEREMOS. ALEGORIA MORAL. Dedicada ao Excellentissimo ***[1] hum dos Dignissimos Deputados da Junta Provisoria do Supremo Governo do Reino * * * * * Mil Ben??es cai?o do Ceo sobre huma sabia Constitui??o Nacional. Do Observador Constitucional. Viamos e n?o Veremos: (verbi gratia) Sugeitar-se hum benemerito Militar ao vergonhoso ludibrio de procurar hum Uzurario (de que abundava Portugal) para lhe rebater os Soldos, e depois de lhe pedir a 25 por cento, e concluir o negocio havendo differen?a em 600 r谷is, a favor do dito Militar, dizer o Uzurario, sem pejo nem consciencia: Os 600 r谷is n?o fa?amos caso d'elles; pois n'huma conta d'estas deve V.S. ceder-mos (afirmando logo que lhos n?o dava, porque ali芍s lhe n?o podia rebater os Soldos; pois tinha quem se sugeita-se a perder 30 em lugar de 25) para eu beber huma garrafa de vinho (de veneno a precizava elle) 芍 sua saude! Viamos e n?o Veremos: Que o benemerito guerreiro possa formar as justas queixas que t?o justamente lhe attribuem e que t?o injustamente se lhes causav?o o Sabio Escriptor Jo?o Baptista de Castro--"Desde menino tive tal inclina??o 芍 Milicia, que sempre me agradou mais a lan?a de Achyles, que a Lira de Par赤s, mas a experiencia me tem mostrado, que mais vale saber manejar as Lyras que as Lan?as. J芍 se accab芍r?o aquelles tempos, em que hum Mithridates, e hum D. Jo?o II. de Portugal, tinh?o Livros em que escrevi?o os nomes de seus Soldados para os honrar, e premiar; agora fica encoberto o merecimento, e sepultadas as ac??es na falta do premio. O titulo de her車e j芍 n?o chega aos ouvidos do Soberano, se n?o coberto com a capa da nobreza. Tenho-me achado em muitas batalhas, e sempre sahi dellas feito mais espectaculo de compaix?o, do que assumpto de ludibrio; e com tudo sirvo de exemplo aos desgra?ados. Foi doutrina de hum Filosofo, que a alma se mistura com o sangue; se assim he, quantas vezes tenho eu derramado a alma pelo sangue das feridas por amor do meu Rei? Companheiros conhe?o eu, que nunca na campanha souber?o outro quartel, que o da saude, nem mais ataque que o do somno; e hoje ostent?o louros das batalhas no augmento dos postos; e quando eu n?o descan?ava de dia e de noite em continuas vigilias, como Jacob, achando-me em todas as occasi?es na frente do meu Exercito, com tanto risco da minha vida, sendo muitas vezes o primeiro que arvorei a bandeira sobre a brexa das Pra?as; n?o sobi mais do que 芍 de Soldado razo no predicamento da fortuna humilde; nem estas c?s merec那r?o ser coroadas ao menos com a cor?a da hera do Profeta Jonas, que se murchava de quando em quando. Eu bem sei, que se puzer em concurso os meus merecimentos, ninguem poder芍 ajuntar melhores certid?es; mas de que me serve alcan?ar hum peda?o de p?o, depois que o n?o possa comer, soffrendo de mais a mais o insopportavel purgatorio de pretendente? Quando o despacho se comprava s車 com o servi?o, era mais barato o despacho: agora sahe mais caro, porque se compra o despacho com o servi?o, e com a perten??o; e assim vem a custar mais o pretender do que o servir." Viamos e n?o Veremos: As tres faltas essenciaes (e que diz hum Politico que por modo nenhum se deve faltar aos Militares) isto he: A de Soldo diario, a de Remunera??o extraordinaria, e a Liberdade depois de certo e limitado tempo de servi?o.--O Exercito bem provido de mantimentos, tarde ou nunca he vencido--a paga certa alenta, porque pela boca se aquenta o forno, e n?o devemos crer que sej?o os Soldados como os fornos d'Arruda, que s車 huma vez na semana se aquent?o, e isto lhes basta para coserem p?o de Domingo a Domingo! Tem-se isto por prodigio grande, e por maior se deve ter que aturem os Militares mezes e mezes sem receberem hum real de Soldo para se vestirem e manterem. A segunda os faz constantes, por que o dezejo de aspirar, e crescer he natural, e com a certeza de melhorar de posto, e alcan?ar bons despachos, fazem pelos merecer, e n?o temem arriscar as vidas, porque o estimulo da honra he o melhor alicate que ha para avan?ar 芍s grandes emprezas, e tambem o do interesse. A terceira os faz leaes, por que se se imagin?o captivos, e que nunca poder?o renunciar o trabalho da Milicia, vestem-se da condi??o de escravos, e he o mesmo do odio a seus senhores, e em lugar de se portarem como Guerreiros Esfor?ados, port?o se como For?ados das Gal谷s!! Hum Politico adiantou mais, e chegou a ponto de dizer, que pelo antigo costume, ou pratica observada na Milicia at谷 ao presente, muito menos penozo era ser For?ado nas Gal谷s! do que Soldado no Exercito; pois que o primeiro era preciso que o seu crime fosse muito grande para se prolongar o seu captiveiro por mais de dez annos, e o do segundo acabava com a existencia! Viamos e n?o Veremos: Que hum benemerito Sargento que muitas vezes posto que n?o tenha grandes Estudos huma pratica consumada o tem posto capaz de responder por huma brigada quanto mais por huma companhia, ser perterido... Em suma considerado indigno de p?r huma banda 芍 cinta! Destes benemeritos Sargentos dignos n?o s車 de serem Officiaes, como acima dissemos, mas por huma consumada experiencia, honra, e pratica, capazes de responderem por huma Brigada, se encontr?o em o Regimento de Artilharia N.^o I. e em outros muitos Regimentos. Viamos e n?o Veremos: Capit?es M車res com hum poder dispotico, e absoluto para cinco Recrutas que se lhes pedi?o, meterem em huma cadeia (que quasi sempre succedia proximo ao Natal em que os Lavradores mat?o os porcos!) cem e mais filhos de Lavradores, Viuvas, e Infelizes M?is; e depois a troco de peitas soltarem noventa e cinco affim de remetterem as cinco pedidas! Outro sim meter na mesma conta (e na mesma cadeia) homens trabalhadores, que por serem d'outras terras longe de suas familias desprovidos de dinheiro; (pois que regularmente quando cheg?o ao Sabbado j芍 tem comido parte do dinheiro que se ha de vencer na Semana seguinte) alli se conservav?o trinta, quarenta, e mais dias, quasi morrendo de fome (o que chegaria a succeder sen?o f?ra a caridade dos fieis) at谷 que o indigno Capit?o M車r complete a redu??o dos que prendeo, e dos que ha de mandar, e at谷 das peitas que intentou receber!--Parece que pedia a justi?a, e a boa raz?o, (se em taes sugeitos se encontrassem!) que logo que se prende (que nunca se dev那ra prender) hum homem para servir a Patria, fosse sustentado pelas Camaras das mesmas Villas, assim como o s?o os Soldados nos Calhaboi?os. Viamos, e n?o veremos, Chefes de Corpos (que em quasi todas as classes os havia at谷 de Ladr?es!) capazes de contratarem entre Quarteis Mestres, e Soldados abonados (de dinheiro seu!!--N?o se procura aqui como ganho!) a venda da Fardetas quando ainda existentes na Fundi??o, e depois o mesmo Soldado em lugar de dadas que lhe er?o em recompensa de seus servi?os, ter de comprar as mesmas a 1200 r谷is, os quaes lhe er?o descontados no diario pagamento, e quando succedia n?o poder continuar a servir (por se achar s車 capaz de acabar a sua existencia pedindo esmola!) se lhe punha na sua Baixa esta verba: Vai pago de Fardas, e Fardetas (pelo contrario as tinha comprado com o seu dinheiro!) at谷 ao presente (segundo a Data da Baixa, &c.) Viamos e n?o Veremos, horrorosos quadros, como aquelle que nos apresenta o Jornal--O Patriota--sobre o pessimo e detestavel systema de tratar, e escolher a Maruja em Portugal nos ultimos calamitosos tempos:--"O pessimo tratamento dos Marujos, he outra causa da decadencia da Armada. Hum Marujo vilmente amarrado com huma corda, ou com as m?os algemadas, era conduzido para huma Cadeia d'alli passava a huma revista, er?o frivolos, er?o sem raz?o quantos motivos apresentasse; da revista para hum Deposito, aonde ociosos se dav?o a toda a qualidade de vicios, e de destemperos; do Deposito para huma Embarca??o, e na Embarca??o pela Barra f車ra... He chegado o momento do trabalho... Poucos s?o capazes de subir, poucos s?o capazes de trabalhar, porque a maior parte s?o homens que se alguma vez embarc芍r?o foi do Caes das Columnas para o de Cassilhas, que julgo j芍 l芍 existe; huns er?o gallegos do barril, outros padeiros, estes Officiaes de Carpinteiro, e Pedreiro, e quasi todos peores do que eu, que Deos me livre de me achar em taes assados! Mas a Embarca??o por milagre do Altissimo l芍 vai... sim l芍 vai a Embarca??o exposta a perder-se, e tantas vidas... tantas vidas... faz-se a Viagem, volt?o, e entr?o no Porto, donde sahir?o, que esperar?o estes homens?... Que se lhes pague o seu trabalho, e tanto mais quanto for?o obrigados a trabalhar; mas que succede? Demora-los a bordo immenso tempo, at谷 que impacientados, n迆s, e miseraveis, e o que ainda he mais cruel, e duro, se tem mulheres, irm?os, ou pai, lembrarem-se de que estar?o morrendo 芍 fome, sem elles lhes poderem valler, tendo ali芍s com que, pois tem ganho com tanto perigo huma soldada t?o diminuta,... e esta mesma se lhe nega... negava-se-lhe tudo... at谷 a propria liberdade... N?o tem outro recurso sen?o fugir... fugio! Perdeo de huma vez os direitos a tudo quanto sobre as aguas do mar debaixo de procellosos aguaceiros tinha adquirido... (quando n?o perdia a vida como succedeo a hum infeliz de outros muitos, mas menos do que elle, que hi?o fugindo ha coisa de dois annos pouco mais ou menos, de bordo do Brigue--Tejo--que mandando o Commandante hum Escaller sobre a Lanxa em que hi?o fugindo sobre a qual atir芍r?o alguns tiros, do que resultou quando cheg芍r?o 芍 outra banda, acharem e Lanxa encalhada, terem fugido os que fic芍r?o vivos, e ficar hum infeliz morto!) Oh Santa Raz?o! Quanto estavas degradada entre os homens!... Mas gra?as mil, gra?as mil aos nossos Libertadores, ousamos assegurar, que ser芍 hum dos primeiros objectos digno da sua alta Considera??o, da sua Justi?a, Rectid?o, e Amor da Patria!" Viamos e n?o Veremos, Leis que poss?o ter s車 o titulo de Leis Lisbonenses! Qualquer individuo podia ter huma Loja de Livros na Cidade do Porto (Cidade Illustre por onde principiou a dissipa??o destas trevas) em Coimbra, Evora, Elvas, &c. ou em outra qualquer parte do Reino. Apenas em Lisboa huma injusta representa??o (pois que as justas n?o as deixav?o chegar a seus ouvidos) feita a S. M. por hum ou mais Encadernadores, que nunca viv那r?o de vender Livros encadernados, mas sim de encadernar, dois objectos t?o differentes hum do outro, como he o de hum Ferreiro fazer pregos (seja-nos permitida esta express?o) e huma Loja de Ferragem vende-los; foi resolvida em Consulta no Rio de Janeiro, que s車 aos ditos Encadernadores fosse permittido vender Livros, do que resultou ao pobre e infeliz--M谷chas--perfeito modello da actividade no seu genero, ser citado por elles Encadernadores, ent?o Juizes do Officio, ou para se examinar, ou fechar a Loja, e desta forma vir a perder hum estabelecimento, d'onde tirava subsistencia para si, e sua desgra?ada familia. Elle confessa, e at谷 prova, que s車 huma ambi??o desmedida lhe poderia negar que elle n?o fosse activo para si, interessante para com seus Concidad?os, e de utilidade para os mesmos Encadernadores que tinh?o cavado a sua ruina: Em fim contin迆a elle: Ser-me-ha preciso abandonar a minha Patria para me ir estabelecer a hum Reino Estrangeiro? (o que ter赤a feito sen?o fosse dar a entender a seus Credores que tinha dinheiro mettido em si) quando em Portugal n?o precisa ser Encadernador, mas basta ser Estrangeiro (ou que seu pai o fosse) para ter Loja de Livros?... Ser-me-ha estranho, ou intoleravel o andar eu, de dia e de noite, offerecendo Livros pelas Lojas de Bebidas, e Bilhares do Caes do Sodr谷, ensinando por este modo aos meus Patricios, que eu n?o me despreso de que com a mesma m?o com que escrevo para o P迆blico (芍 falta de Escriptores) com essa mesma offere?o os Livros, e que ao homem nada est芍 mal sen?o o mal proceder?... N?o dou eu que fazer aos mesmos Encadernadores? N?o tenho eu feito trabalhar as Imprensas, e obrigado a comprar, Livros com a minha industria a homens que apenas em outro tempo talvez se lhes n?o achassem meia duzia de Livros em casa, hoje em dia tem enchido as Estantes dos que a mim me tem comprado? Desenganem-se que isto de Livros, ou Leitura he hum vicio (vicio ass芍z louvavel, e interessante!) e que quanto mais ha quem venda Livros, mais Livros se vendem! Ainda que assim n?o fosse, aonde ha damno de terceiro, n?o p車de haver contempla??o com certos individuos; pois que o bem geral deve prevalecer 芍 utilidade de alguns. (Se he que n?o he huma utilidade mal entendida!) Finalmente huma grande, evidente, e decisiva prova sobre o serem prejudiciaes 芍 industria popular as Corpora??es privilegiadas, ou Companhias exclusivas, se p車de v那r em hum dos jornaes de Par赤s de 12 de Septembro do presente anno, e na Gazeta de Lisboa em 9 de Outubro do dito.--Hum sabio Ministro de Napoles, entre outras muitas importantes maximas, trata em hum Capitulo separado a seguinte: "Fica offendida a liberdade da industria (prossegue o Ministro) quando se estabelecem Corpora??es de Artes, e Officios; quando o Governo tem faculdade de fazer-se empresario; quando se f車rm?o Companhias exclusivas de Commercio; quando se exclue algum ramo de industria, ou he opprimido com impostos. Quanto 芍 propriedade que se adquire com a industria, p車de ser prejudicada directa ou inderectamente pelas Leis da confisca??o; pela usurpa??o do poder administrativo nas cauzas civis; pelos emprestimos que tomasse o Governo sem huma utilidade evidente para o Estado; pelas pens?es concedidas sobre a divida p迆blica f車ra dos casos prescriptos pelas Leis; por impostos mal estabelecidos, ou que excedem as necessidades p迆blicas." Viamos e n?o Veremos, que se conced?o Privilegios at谷 aos Cegos (que parece mesmo Privilegios de Cegos!) a hum ponto tal que os authorizasse para nas ter?as feiras fazerem aprehen??o em quantos Livros achassem 芍 venda, ou, fossem ou n?o de particulares, e que a menor pena imposta, era, o perdimento d'elles, e 5$. de condemna??o!... Acabamos de saber em fim que elles se tem deixado (posto que a sua vontade fosse o contrario) de obstar aos rapazes que ao presente se occup?o (e que at谷 he huma providencia; pois que a maior parte d'elles se occupava em tirar len?os) em vender folhetos, e Versos analogos 芍 Liberdade Constitucional. Viamos e n?o Veremos, que a huma pobre e honrada mulher lhe fosse prohibido vender huma saia, ou huma camisa com o risco de a perder, e ir parar ao Limoeiro. Viamos e n?o Veremos, huma infame Proclama??o que d那 o nome de--Rebeldes!!!--aos Her車es que no dia 24 de Agosto levant芍r?o pela primeira vez a voz da Raz?o, e do Heroismo sobre a Liberdade Constitucional. Viamos e n?o Veremos, hum infeliz criminoso estar prezo quatorze annos ao fim dos quaes propor-se em Rela??o, e dar-se-lhe a escolher se queria morrer, ou ser carrasco! T?o infeliz quanto generoso, e de alma grande foi hum criminoso, que respondeo: Quero morrer, porque posto que eu com constancia tenha supportado quatorze annos de priz?o, n?o me acho com for?as bastantes para ficar o restante da vida com a obriga??o de ser algoz da Humanidade! Em fim Viamos... Viamos... Viamos... e n?o Veremos... e n?o Veremos... e n?o Veremos... coisas que tanto nos fazi?o a vista turva, e que nos estav?o quasi fazendo cahir em hum perfeito C芍hos de escuridade; por谷m agora pelo contrario Veremos... Veremos... e Veremos... coizas que nos fa??o, e far?o a vista clara qual Linces, nossos gosos felizes, e affortunados... Em conclus?o:--Veremos, que assim como Portugal he nomeado, ou tido por--Paraiso na terra--n車s o seremos por--Entes bemaventurados no Mundo. Pensamentos, e Maximas proprias, e adequadas 芍s Id谷as Intellectuaes, e Moraes do Homem. Liberdade. I. Diogenes, perguntado, que cousa havia melhor na vida, respondeo: A liberdade que perde o Avarento, em quanto se faz escravo de todos os vicios. II. Empenhou-se Pericles a ter em sua companhia a Timon, e lhe fazia t?o grande partido, que lhe prometteo com grandeza tudo quanto lhe fosse necessario para passar a vida humana alegremente: Respondeo-lhe elle, que n?o vendia a sua liberdade. III. Nunca usamos melhor da nossa liberdade, do que quando a sacrificamos 芍 direc??o de pessoas, que h?o de responder necessariamente da authoridade com que della us芍r?o. IV. Quem se lembrasse, que n?o foi dada a liberdade para della usar 芍 descri??o das paix?es, mas s車 pelas regras do bom sentido, da raz?o, e das Leis, logo que se n?o sentisse com for?as para a levar por estes caminhos, a n?o querer despenhar-se, estimaria topar a quem quizesse carregar-se do contrapezo de responder por si e pelos outros. V. Persuadia huma Hipp車crates, que se passas-se para Xerxes, dizendo-lhe que era bom Senhor. Respondeo elle: Nem ainda de bom senhor tenho eu necessidade. VI. A liberdade politica, he a que tem cada individuo da sociedade, n?o para executar quanto lhe fizer emprehender huma fantezia selvatica; n?o foi para isto, que nas primeiras conven??es se acord芍r?o os homens entre si de hum deposito commum de suas for?as relativas; mas he para gozarem toda a seguran?a de quanto lhes pertence, sem dever ser perturbado de outro seu igual, e similhante Feliz Estado, em que s車 se depende da Lei. VII. A hum que invejava a fortuna de Aristoteles, por comer 芍 meza com Alexandre, disse Diogenes: Melhor he a minha, pois Diogenes janta quando Diogenes quer; e Aristoteles quando quer Alexandre. VIII. Non bene pro toto libertas venditur auro, disse Horacio. E o judicioso Falc?o introduz a hum rato muito invejoso de ver a outro em huma ratoeira rodeado de muito comer, e campo mui espa?oso para passear. Assim he lhe respondeo elle, porque n?o me falt?o iguarias, e este palacio t?o formoso para me divertir; mas amigo tomara-me eu daqui cem legoas. IX. Diogenes, perguntado, que cousa havia melhor na vida, respondeo, que a liberdade: libertas. * * * * * Se n車s nos pod那mos chamar felizes por observar-mos depois de hum Quadro t?o espantoso de passados males, hum t?o brilhante de bens presentes, e futuros bens; com melhor raz?o nos poderiamos chamar felicissimos se podessemos recuperar a perda deploravel do objecto que trat?o os dois ultimos versos do maravilhoso Soneto de hum dos nossos sublimados Engenhos, que abaixo transcrevemos, que p車de servir de quadro 芍s passadas, e presentes circunstancias em que se vio, e v那 Portugal. *SONETO.* Com o tempo o prado secco reverdece, Com o tempo cahe a folha ao bosque umbroso, Com o tempo p芍ra o rio caudaloso, Com o tempo o campo pobre se enriquece. Com o tempo hum louro morre, outro florece, Com o tempo hum he sereno, outro invernoso, Com o tempo foge o mal duro e penoso, Com o tempo torna o bem j芍 quando esquece. Com o tempo faz mudan?a a sorte avara, Com o tempo se aniquilla hum grande Estado, Com o tempo torna a ser mais eminente. Com o tempo tudo corre, tudo p芍ra, Mas s車 aquelle tempo que he passado, Com o tempo se n?o faz tempo presente. * * * * * Ainda que huma sabia Constitui??o Nacional n?o abrangesse (como abrange) hum bem geral composto de diversos, e infinitos bens, bastava aquelle de constituir hum sabio, e digno Codigo, que d那 a Deos o que he de Deos, a Cesar o que he de Cesar: Em suma:--Que j芍 mais poss?o ter as Leis as interpetra??es que lhes der?o (posto que com ironia) Solon, Anacharsis, e o sabio P. M. Fr. Jos谷 Suppico, como abaixo transcrevemos. Solon, e Anacharsis, comparav?o as Leis 芍s teas de aranha, porque assim como estas s車 prendem algum mosquito, ou bichinho semelhante, e os maiores as rompem, e zomb?o dellas, assim tambem as Leis s車 opprimem, e castig?o os humildes, e pobres; e os grandes as despres?o, e fazem t?o pouco caso dellas, que nem ainda as toc?o com o dedo! O muito Reverendo P. M. Fr. Jos谷 Suppico: Repara, ou pondera no empenho que Herodes mostrou em querer tirar a vida a Christo, e n?o o esperar no Templo, quando o levassem a apresentar a elle. Para que se can?a Herodes em matar innocentes, em perseguir justos, em dobrar sentinellas, e em povoar estradas? Espere no Templo a Deos Menino. Mas oh que andou Herodes como Principe; e tinha ouvido dizer aos Magos, que Christo nascia Rei: E nesta supposi??o diz entre si: N?o tenho que me can?ar em procurallo no Templo; he Rei? he Grande? Pois n?o ha de ir ao Templo, porque se o ir ao Templo he observancia da Lei, estes n?o guard?o as Leis, quebr?o as Leis. Torno a repetir segunda vez: Quando huma sabia Constitui??o n?o nos trouxesse outro bem, mas s車mente aquelle de p?r o Ministro n'huma severa restrinc??o de dar a Deos o que he de Deos, e a Cesar o que he de Cesar, isto he: Virtude para o premio, Vicio para o castigo, serem em suma estes os dois pontos fixos das suas delibera??es sem aquella distinc??o que todos n車s sabemos, de que tanto se vangloriav?o os Nobres (que deix?o de o ser huma vez que pretendem torcer a Vara da Justi?a) e se lastimav?o os pleb那os! N?o precisa ser grande Juris-Consulto para saber (quando se n?o queira fechar os ouvidos 芍 vos da raz?o, ou do interesse!!) que o premio he dado--芍 Virtude--e o castigo ao Crime--que o pleb那o depois de praticar huma virtude, he nobre, e que o nobre depois de praticar huma vileza he pleb那o. Esta verdade inegavel confessa mesmo o Rustico applaude, e elogia o Sabio, e o Poeta canta: *SONETO.* Pobre, ou rico, Vassallo, ou Soberano, Iguaes s?o todos, todos s?o parentes, Todos nasc那r?o ramos descendentes Do tronco antigo do primeiro humano. Saiba quem de seus titulos ufano Toma por qualidade os accidentes, Que duas gera??es ha s車 differentes, Virtude, e Vicio tudo mais he engano. Por mais que affecte a v? Genealogia Introduzir nas v那as a nobreza, De melhor sangue que Ad?o teria, N?o far芍 desmentindo a natureza Que seja sem virtude a Fidalguia Mas que hum triste fantasma da Grandeza. Rimas de J. X. de Mattos. Tom. II. pag. 47. Considera??es sobre as Leis em geral, e em particular, de alguns c谷lebres, Filosofos, Sabios, e Oradores. I. Perguntando Plistonacto a Pausanias, a causa, porque entre os Espartanos estav?o as Leis, ainda as mais antigas, tanto em seu vigor, respondeo: Porque entre os Lacedemonios as Leis sempre domin?o, e nunca for?o dominadas. II. Dem車sthenes chamava 芍s Leis, alma da Republica, porque assim como o corpo sem alma logo acaba, assim a Republica faltando as Leis, logo se arruina. III. Sem Leis, sumptuarias, que dem o tom aos differentes ramos, que podem despedir do throno geral do p迆blico interesse, de mui pouco vir?o a servir a bondade do Sol, a fertilidade do ch?o, a actividade da industria, e a inergia do homem. IV. Para nos mostrar que n?o muitas mas sabias Leis, e 芍 risca observadas s?o o que form?o a felicidade P迆blica, dizia o sabio Arcesil芍o, que assim como aonde ha mais abundancia de Medicos, ha mais enfermidades, assim aonde ha muitas Leis ha mais vicios! V. As enfadonhas formalidades (que at谷 ao presente se tem observado, por谷m gra?as 芍 nossa Nova Constitui??o que as dissipar芍) de que se ach?o carregadas as Leis na pr芍tica do Foro de huma grande parte das Na??es, que se dizem policiadas, p車de ser, que fossem boas na sua institui??o primitiva: pelo menos hoje parece que servem s車mente de eternisar as materias dos litigios; de dar que fazer aos Advogados; de fazer viver os Officiaes do Expediente; de obrigar a desistir hum pobre; que n?o tem mais, que muita justi?a; e de avizar a Eternidade a hum desvalido desesperado litigante. O grande P. Antonio Vieira, diz com bem gra?a em hum de seus Serm?es, que se o Processo Criminal, que se fez a Jezu Christo em Jerusalem, fosse formalisado pela pr芍tica actual do Foro, ainda no seu tempo n?o estaria consumada a Redemp??o. VI. Bias sentenciando 芍 morte hum delinquente, lhe corr那r?o as lagrimas; e perguntado porque chorava, se como Juiz podia livrar o R谷o, respondeo: Porque n?o posso faltar 芍s Leis da Justi?a, nem 芍s da natureza. VII. A Augusto Cesar, dizia Ovidio: Se todas as vezes, Senhor, que os homens pecc?o, cahisse sobre o delinquente hum raio, em breve tempo se veria Jupiter sem armas. Mas n?o inferio bem, diz o Padre Vieira, antes se todas as vezes que os homens pecc?o, cahisse logo o raio sobre o delinquente, n?o se acabari?o, mas sobejari?o raios: porque tanto que o castigo andasse junto com o delicto, nenhum homem se havia de arrojar a delinquir. VIII. A clareza, e a preciz?o, s?o dois attributos indispensaveis das boas Leis. Desde o primeiro at谷 ao ultimo dos homens he conveniente, a meu v那r, que saib?o todos, o que lhes he mandado prohibido, ou tolerado. Parece que deveria ser a primeira Cartilha do Mestre Ignacio, que se mandasse l那r aos rapazes na escolla; como acontece com a Biblia nas escolas em Inglaterra. * * * * * Este sentimento que n車s chamamos Brio, quando elle tem por objecto o amor da nossa Patria, he a primeira das virtudes Sociaes. Todo o homem que possue, e cultiva este sentimento, ser芍 sempre o bem-feitor da sua especie, assim como tambem ser芍 hum modello de Heroismo para os homens que houverem nascido no mesmo terreno, e fallarem a mesma Linguagem:--Pois: Ainda que seja hum dever o amar a todos os homens, a preferencia que n車s dermos aos nossos Compatriotas, 芍s produc??es da sua Industria, aos fructos; e Cultura de seu terreno, ser芍 芍 medida de graduarmos a nossa propria estima??o; ?Quem deu tanta superioridade 芍 Na??o Ingleza (fa?amos-lhe justi?a neste particular), e tantos respeitos sobre os outros povos da Europa?... O seu Brio Nacional!--Portuguezes lembremo-nos do Brio Nacional dos Her車es que honr芍r?o (e h?o-de honrar) tanto a nossa Patria, que em todos os seculos for?o, e ser?o, o espanto, e admira??o do mundo ?Qual seria a Na??o, que se n?o sentira ufana por ter por Compatriota hum Albuquerque, que em immensa distancia da sua Patria, amea?ado de todo o poder de hum Rei Persiano sem quasi algum soccorro, respondeo aos Embaixadores deste ao pedirem-lhe Tributos?--Eis a moeda (apontando-lhes para hum monte de ballas e granadas, e pondo a m?o no seu alfange) de Tributo com que costuma a pagar ElRei de Portugal! He precizo que sejamos quem d'antes fomos. Quando huma na??o tem grandes virtudes P迆blicas, nunca lhe falta aquella eleva??o de caracter que a faz sobressahir entre as outras Na??es contemporaneas. A cria??o que El-Rei D. Jo?o 1.^o soube d芍r a seus filhos, e 芍 C?rte, produzio tamanhos effeitos sobre o caracter Nacional, que por quasi dois seculos Portugal conservou a preponderancia do valor, e da fortuna sobre o resto da Europa. Nestes famosos tempos, a Historia Militar dos Portuguezes mostra illustres documentos de quanto se conheci?o, e se praticav?o as virtudes heroicas que eterniz芍r?o o nome dos Gregos, e dos Romanos, e quanto o amor da familia era generosamente sacrificado ao Amor da Patria.--Entre outros grandes exemplos Portuguezes, bastar芍 s車mente citar o de Antonio Moniz Barreto, Governador da India.--Achava-se em estreito cerco a importante Fortaleza de Malaca.--o poder dos Achens, e dos J芍os era t?o forte, que a prudencia mesma desconfiava do bom successo das nossas Armas. Entre grandes precis?es do estado, o Illustre Barreto querendo apromptar acceleradamente os recursos que pareci?o impossiveis de se haverem diz aos moradores de Goa.--"Portuguezes trata-se de salvar a Patria tanto maior he o nosso perigo, tanto maiores sej?o os nossos sacrificios.--Eu tenho hum filho menino, eu o offere?o gostosamente 芍 minha Patria.--S?o necessarios vinte mil padr芍os (quinze mil cruzados) para conservar Malaca; meu filho seja o penhor de que o emprestimo de que fazeis ao Estado (ainda com melhor raz?o do que se fizer ao corpo Politico de huma Na??o se deve esperar outro tanto) vos ser芍 fielmente satisfeito."--Duarte Moniz, menino de sete para oito annos, ficou em penhor.--Malaca foi conservada, e o generoso Barreto, que se desempenhou promptamente para com a Cidade de Goa, deixou a todas as Na??es hum eterno monumento do amor da Patria. * * * * * O Amor da Patria sempre se interessa mais pelas ac??es Illustres que nos precedem; por谷m a nossa curiosidade mais vivamente se inflama quando vemos que o sexo das gra?as e beleza tem servido de engrandecer a nossa Historia:--No tempo em que o nome Portuguez se fazia temido nas mais remotas partes do mundo em que as nossas Bandeiras tinh?o o respeito das Na??es da terra, em que a nossa Linguagem foi aprendida pelos mais antigos Povos da Asia para receberem o nosso Mando: As nossas Emprezas encontrav?o obstaculos, por谷m n?o os encontrava a nossa gloria, nem a nossa Fortuna:--A Pra?a de Diu foi hum theatro de ambas! Apezar de todos os perigos da guerra, sempre o nosso valor foi aqu赤 brilhante coroado. Era o tempo do segundo cerco, para que tinh?o concorrido al谷m da grande fama e poder dos Turcos, todos os exfor?os d'ElRei de Cambaia; por谷m era tambem ao mesmo tempo (por fortuna nossa, e gloria sua!) o Governador da pra?a D. Jo?o de Mascaranhas. Todos os recursos pareci?o faltar-nos, excepto o brio e o amor da gloria!--As mulheres quizer?o seguir o caminho da immortalidade que as circunstancias offereci?o ao Nome Portuguez!!... Sem reparo nem ao estado, nem 芍 idade, todas correm 芍 defeza do commum interesse (geral da Na??o) sem o menor indicio de interesse particular mais do que aquelle que resulta a todos os verdadeiros Cidad?os de verem exaltada a sua Patria.--Os trabalhos mais defficeis s?o gostosamente supportados entre Canticos Patrioticos!--A m?i tinha a vingar hum filho!--A esposa hum marido!--A amante hum namorado. N'hum dia de conflicto geral a companhia, ou a lembran?a de tantos penhores queridos, e amados, servio s車mente de estimular os exfor?os communs, e reciprocos:--Isabel Madeira que parecia destinguir-se nas proezas d'este dia tanto, ou mais, como j芍 era destincta pelas virtudes conjugaes:--Hum tiro de Bombarda despeda?a, a seu lado, o seu amante esposo, e a deixa na posse de quatro filhos.--As Matronas, e as donzellas que a rodei?o levant?o hum grito de dor; por谷m ella fica immovel e seus olhos enxutos!!! Estas unicas palavras respondem 芍 consterna??o geral das mais, e patentei?o a grandeza do seu cora??o:--"Ninguem haja de lastimar-me! Meu marido morreo pela Patria! Poss?o meus filhos merecerem esta ventura!" Assim se exprimia em outro tempo o Heroismo Femenil em Lacedemonia. Observa??o--Alegoria--Critica--Moral. Quando as discuss?es de hum Congresso s?o feitas por Cidad?os, Sabios, e Prudentes, ent?o lhes pod那mos chamar Discuss?es inspiradas por Deos de Moys谷s (Omnipotente Deos Creador do Universo), e bem pod那mos estar certos que a parte restante dos Cidad?os, que n?o entr?o em tal Congresso, ser芍 feliz igualmente, isto he: Ser?o conciderados igualmente, ou sej?o grandes, ou pequenos (Fidalgos, ou Pleb那os) pois que o direito das Gentes n?o conhece distinc??o mais do que a Virtude, ou o Crime: outro sim apenas destingue quando se trata de premiar os bons; e castigar os m芍os, que os homens todos s?o homens! "Iguaes s?o todos todos s?o parentes, Todos nascer?o ramos descendentes Do tronco antigo do primeiro humano." Pelo contrario quando as Discuss?es s?o feitas por Ex-Cidad?os (homens s辰 na figura!) ignorantes, e orgulhosos, ent?o lhe pod那mos chamar Discuss?es inspiradas por Jove! Deos dos Poetas! (ou das quimeras que val o mesmo!) e poder那mos ficar certos que os homens neste caso n?o ser?o tratados conforme os seus merecimentos, mas sim conforme a sua orgolhosa Representa??o, e exclamarmos com La Fontaine. Jove duas mezas poz para os dois lotes Da gente d'este mundo: O Destro, o Esperto, o Forte est?o sentados 芍 primeira;--os pequenos Comem os seus sobejos 芍 segunda. * * * * * Observa??es Criticas, e Alegoricas. I. No conceito de todos os Escriptores de boa nota (e at谷 na realidade existente) Portugal em longitude de terreno, e mesmo no circulo circumferencial n?o he hum dos maiores Reinos!.. Por谷m quer pela sua riqueza, posi??o geografica, brio de seus habitantes, em summa por ser cheio como hum ?vo (valho-me desta express?o por n?o ser eu o primeiro que della uso) foi sempre olhado por todas as Na??es Europeas com admira??o, ou emula??o, conforme lhe quizerem chamar?... N?o obstante tal he a alternativa dos tempos, que ou por huma inna??o, ou por huma politica (que impolitica lhe cham芍ra eu!) mal considerada, este pequeno circulo cheio como hum ?vo, que assim se podia considerar at谷 芍 谷poca de 1807 que a ex-politica Franceza o galou, e outras circunstancias (pelas causas acima que dissemos) o regal芍r?o, a n?o ser huma inesperada Providencia com a mira n'hum Heroismo Constitucional, estava o sobredito ?vo a ponto de se chocar de todo!.. II. Dizem os Politicos, (e eu o creio) que por todas as raz?es o homem deve aprender a Grammatica da sua propria lingua... Suppomos hum inteiro e severo Magistrado: Que bella cousa n?o he saber conjugar o Verbo--Eu perco (diz hum s車 que 芍s vezes he mui bem que perca por que se faz merecedor de perder; pois que tem perdido outros para elle ganhar!): N車s perdemos (芍s vezes injustamente): E que a pluralidade do ultimo deve ser preferida 芍 singularidade do primeiro! III. Quando reina o Despotismo, e o Rigor, o Genio Grande no centro de hum Palacio, vive para si acanhado, aborrecido, e para os outros Entes morto!... Quando a doce liberdade o pequeno Genio dentro de huma choupana vive altivo, magestoso, e entre balbuciantes vozes de ignorancia!! lhe escap?o alguns pensamentos interessantes, e desta sorte se torna mais util 芍 Sociedade o Ignorante livre, do que o Sabio captivo. IV. Quando o Governo he Monarquico, succede, regularmente, que estando hum homem no Throno, he governado o Reino por huma Mulher! e se est芍 huma Mulher, por hum homem! E desta maneira vem a ser Governados os P車vos ora pelos caprichos de hum, ora de outro individuo! V. Quando o Governo de hum Reino he representado por Cidad?os, todos os Cidad?os desfrut?o das gra?as que lhes competem por seus merecimentos; e quando he representado por hum Governo monarquico apenas as desfruct?o os Criados Particulares do Pa?o, e aquelles que tem particularidades com elles! * * * * * Que aproveita ao que he depravado nos costumes proceder de Illustre Gera??o? Politica Predicavel, e Doutrina Moral do bom Governo do Mundo. Pag. 486. ∫. II. N.^o 8. * * * * * Aos Her車es Portuenses, que no dia memoravel 24 de Agosto de 1820 ergu那r?o pela primeira vez a Voz da Raz?o, e do Heroismo a Liberdade Constitucional. Vivei felizes Pios, Vencedores, Em ouro escriptos sej?o vossos nomes, Em cedro, em diamantes, em todo o mundo. ........................................ ........................................ Em vossos peitos s?os, limpos ouvidos Cai?o meus versos, quaes me Febo inspira, Eu desta gloria s車 fico contente, Que a minha terra amei, e a minha gente. Ferreira. Menos deloroso he (aos olhos do bom Observador) v那r a virtude sem premio (pois j芍 o leva no primeiro objecto) do que o vicio sem castigo:--O Immortal Vate o expressa.-- E pondo na cobi?a freio duro, E na ambi??o tambem que indignamente Tomais mil vezes; e no torpe escuro Vicio da tyrania infame, e urgente: Porque essas honras v?s, e esse ouro puro, Verdadeiro valor n?o d?o 芍 gente: Melhor he merece-los sem os ter, Que possui-los sem os merecer.[2] Cam?es. * * * * * A Nobreza s車 he verdadeira onde ha Virtude, sem a qual he vaidade:--Os Viciosos n?o s?o verdadeiramente Nobres, e infam?o a sua Nobreza.-- Rosto de formosura, e gra?a ornado, Riqueza, gera??o, for?as, e honra. E todos os mais bens da v? fortuna, Juntamente por芍s n'huma balan?a; N'outra a Virtude subir芍 芍s estrellas A balan?a ligeira da fortuna: Mas a grave e pezada da Virtude Com o seu pezo aos abysmos decer芍. Diogo de Teive. * * * * * N?o he o Soberano, mas sim as Leis as que devem Reinar sobre os P車vos. Massillon. * * * * * Se o Costume he Lei, e o vicio he Engano, A estrada vos mostro do Desengano. * * * * * Eu a Virtude elevo, o Crime abato, Exalto o Luzo, o Gollo vitup谷ro, D'este as ac??es tyranicas relato; Daquelle o Patriotismo, o peito f谷ro: Poeticas fic??es n?o junto ao facto, Natural singeleza seguir quero, Rodeios n?o procuro 芍 s? verdade Assim fallar costuma 芍 humanidade. O Porto Invadido, e Libertado. Cant. 1.^o 1.^a Out. D'hum C芍hos surjamos qual d'antes eramos! (Do Observador Constitucional.) Aquella antiga idade, que contemplo Dos nossos afamados Portuguezes, Das quaes erguidas v那s hum e outro templo. .......................................... .......................................... Tendo a mediocridade por riqueza, Todo o sobejo fausto aborreci?o; Qu?o limpa, e formosa era a sua pobreza! Ferreirra 2.^o Livro das Cartas:--Carta 3.^a * * * * * Quantos ha na nossa Aldea Le?es e Lobos fingidos, Que hover?o de andar despidos, Sen?o f?ra a pelle alheia. Francisco Rodrigues Lobo. *FIM*. Vende-se por 120 rs. nas lojas de Jo?o, Henriques, ao fundo da Rua Augusta; de Antonio Manoel Polycarpo da Silva, de baixo da Arcada do Senado, e Carvalho, defronte da Rua de S. Francisco ao Chiado. *Notas:* [1] Posto que fosse nossa ten??o publicarmos esta Alegoria com o Nome por extenso que acima occultamos deste sabio Var?o, fomos instados pelo mesmo (a quem solicitamos o consentimento, e a quem a remettemos em manuscripto antes de a publicarmos para que n?o fizessemos men??o do seu nome); pois que elle antes queria ser sepultado no esquecimento do que incensado com Elogios! Assim o deviamos n車s esperar; pois que he do verdadeiro sabio eximir-se aos Elogios, e do Ignorante sollicit芍-los! [2] Os titulos. End of the Project Gutenberg EBook of Viamos e n?o veremos, by Anonymous *** END OF THIS PROJECT GUTENBERG EBOOK VIAMOS E N?O VEREMOS *** ***** This file should be named 20701-8.txt or 20701-8.zip ***** This and all associated files of various formats will be found in: http://www.gutenberg.org/2/0/7/0/20701/ Produced by Rita Farinha and the Online Distributed Proofreading Team at http://www.pgdp.net (This file was produced from images generously made available by National Library of Portugal (Biblioteca Nacional de Portugal).) Updated editions will replace the previous one--the old editions will be renamed. Creating the works from public domain print editions means that no one owns a United States copyright in these works, so the Foundation (and you!) can copy and distribute it in the United States without permission and without paying copyright royalties. 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